ENSINO : Nota Mínima nos Exames?

quinta-feira, março 23, 2017


Muitas são as notícias no campo do ensino que me deixam de boca aberta. Umas mais, outras menos. Umas que me revoltam ao ponto de eu ter de exteriorizar isso mesmo, outras que até mexem comigo mas que são menos "graves", a meu ver.

A mais recente é esta: querem acabar com o facto de existir uma nota mínima nos exames para acesso ao ensino superior. Vi esta notícia no Observador, aqui, e foi daquelas coisas que me deu a volta ao estômago... principalmente depois de ler a notícia e ver algo que é meio contraditório.

Basicamente, o Conselho Nacional de Educação quer, aparentemente, propôr ao Governo que acabe com a nota mínima de 9,5 valores nos exames nacionais como fator de acesso à universidade, alegando que, para se ir para a universidade, o facto de se ter o ensino secundário concluído já é suficiente. Mas, corrijam-me se estiver enganada, esta "nota mínima" não é exigida apenas nos exames que contam como prova de ingresso para determinado curso? Porque é que está a fazer tanta comichão a alguém essa nota mínima existir? A mim, vai fazer imensa comichão se ela deixar de existir! Passo a explicar...

Matemática, na Universidade do Minho. É daqueles cursos que raramente enche as vagas na 1ª fase (isto para não dizer que raramente enche as vagas depois das três fases existentes, mas continuemos...). O que se pede a alguém que se queira candidatar ao curso? Apenas que tenha concluído o secundário (óbvio!) e que tenha uma nota mínima de 9,5 valores no exame de Matemática A. E o que acontece? Sim, há gente a entrar em Matemática, com 9,5 valores nesse exame! Isto é só, a meu ver, algo inacreditável! Agora imaginem se essa nota mínima não existisse... bem, acho que é melhor nem tentar imaginar.

Porque é que isto acontece? Porque agora muita gente vai para a universidade porque sim, porque é fixe, porque os pais querem, e porque querem "vida louca". E, feliz ou infelizmente, Matemática é daqueles cursos que é super fácil entrar, por haver pouca competitividade a nível de vagas preenchidas... quanto a sair do curso, essa facilidade deixa de existir num instante, mas isso são outros assuntos.

Algo que eu retiro desta notícia e que quero mesmo realçar é o seguinte excerto: "deve poder confiar-se nas instituições do ensino secundário, quanto às classificações que atribuem"... isto, numa altura em que se fala tanto de inflações de notas no ensino privado e quando se fala, ano após ano, que há uma necessidade de existirem exames nacionais para haver "equidade" entre os alunos dos vários tipos de estabelecimentos de ensino, é realmente algo que nos deixa a pensar...

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